Doença do trabalho: o que é e quais são os direitos do trabalhador
Resumo
• Problema jurídico: trabalhadores adoecem por causa do trabalho e não sabem se têm direitos
• Definição do tema: o que é doença do trabalho segundo a lei brasileira
• Solução possível: reconhecimento legal, benefícios e indenizações
• Papel do advogado: orientar, comprovar o nexo e proteger os direitos do trabalhador
quando o trabalho começa a adoecer
A base legal é a Lei nº 8.213/91.
Imagine acordar todos os dias com dor, cansaço extremo ou crises de ansiedade, mas mesmo assim precisar seguir para o trabalho. No começo, a pessoa tenta ignorar. Depois, o corpo começa a dar sinais mais fortes. As faltas aumentam, o rendimento cai, surgem advertências, e o medo de perder o emprego cresce.
Muitos trabalhadores vivem isso sem saber que a doença não surgiu “do nada”. Em inúmeros casos, ela está diretamente ligada à forma como o trabalho é realizado. É exatamente nesse ponto que surge a dúvida central: doença do trabalho, o que é?
Entender esse conceito não é apenas uma questão jurídica. É uma forma de proteção, dignidade e justiça, para que o trabalhador não carregue sozinho um adoecimento que foi causado pelo próprio ambiente de trabalho.
Leia também: Acordo coletivo: como funciona, quais são seus limites e como ele afeta seus direitos trabalhistas.
Doença do trabalho: o que é segundo a lei
A doença do trabalho é aquela desenvolvida ou agravada em razão das condições em que o trabalho é realizado, mesmo que não seja exclusiva daquela profissão.
Em termos simples:
“não importa apenas o que você faz, mas como você trabalha”.
A definição está no artigo 20, inciso II, da Lei nº 8.213/91, que equipara a doença do trabalho ao acidente de trabalho para fins de proteção legal.
Doença do trabalho o que é, na prática
É a doença que surge ou piora por causa de fatores como:
- Ambiente inadequado
- Excesso de pressão ou metas abusivas
- Postura repetitiva
- Falta de pausas
- Jornadas excessivas
- Assédio moral
- Falta de equipamentos de proteção
Mesmo que a doença também possa existir fora do trabalho, se as condições laborais contribuíram para o adoecimento, ela pode ser reconhecida legalmente como doença do trabalho.
Diferença entre doença ocupacional e doença do trabalho
Muita gente confunde os conceitos, mas a distinção é importante.
Doença profissional
É aquela diretamente ligada à profissão, como:
- Silicose em mineradores
- Perda auditiva em quem trabalha com ruído excessivo
Doença do trabalho
É causada pelas condições do ambiente laboral, e não pela profissão em si, como:
- Depressão por pressão excessiva
- Lesão por esforço repetitivo
- Transtornos de ansiedade por assédio
Ambas são consideradas espécies de doença ocupacional, com proteção legal equivalente.
Exemplos comuns de doença do trabalho
Entre os casos mais frequentes reconhecidos pela Justiça do Trabalho e pela Previdência, estão:
- LER/DORT (lesões por esforço repetitivo)
- Hérnia de disco agravada pela função
- Depressão e ansiedade ocupacional
- Síndrome de burnout
- Tendinite
- Problemas de coluna
- Transtornos do sono ligados à jornada
O ponto central não é o nome da doença, mas o nexo entre o trabalho e o adoecimento.
Como provar que a doença é do trabalho
Essa é uma das maiores dificuldades do trabalhador.
A comprovação exige a análise conjunta de:
- Laudos médicos
- Histórico de afastamentos
- Função exercida
- Jornada de trabalho
- Ambiente laboral
- Perícia médica (INSS ou judicial)
A Justiça entende que não é necessária causa exclusiva. Basta que o trabalho tenha contribuído de forma relevante para o surgimento ou agravamento da doença.
Esse entendimento é amplamente aplicado pelo Tribunal Superior do Trabalho, que reconhece o nexo concausal — quando o trabalho não é a única causa, mas contribui decisivamente para o adoecimento.
Direitos do trabalhador com doença do trabalho
Quando a doença do trabalho é reconhecida, o trabalhador pode ter acesso a direitos importantes, como:
- Auxílio-doença acidentário (B91)
- Estabilidade de 12 meses após o retorno
- Depósito de FGTS durante o afastamento
- Indenização por danos morais e materiais, quando houver culpa do empregador
- Reabilitação profissional
Esses direitos existem para evitar que o trabalhador seja duplamente penalizado: pela doença e pela perda da renda.
Estabilidade provisória: um direito pouco conhecido
Um ponto essencial:
Quem se afasta por doença do trabalho tem estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno.
Isso significa que o empregador não pode dispensar sem justa causa nesse período, salvo situações muito específicas.
A jurisprudência do TST é firme no sentido de que a estabilidade independe de culpa do empregador, bastando o reconhecimento do afastamento acidentário. Esse entendimento é fundamentado pela Súmula nº 378, TST.
E quando a empresa nega a relação com o trabalho?
Infelizmente, isso é comum.
Muitas empresas:
- Contestam o nexo
- Pressionam o trabalhador a não se afastar
- Tentam classificar como “doença comum”
Nesses casos, a Justiça do Trabalho tem reconhecido que a ausência de CAT, por si só, não impede o reconhecimento da doença do trabalho, desde que as provas demonstrem a relação com o ambiente laboral. Conforme entendimentos jurisprudenciais nesse sentido, exemplo: TJ-SC – APL: 50002726820238240256.
A importância da orientação jurídica especializada
Cada situação tem detalhes próprios. O mesmo diagnóstico pode gerar direitos diferentes, dependendo:
- Da função exercida
- Do tempo de exposição
- Do comportamento do empregador
Um advogado trabalhista atua para:
- Analisar documentos e laudos
- Orientar sobre benefícios previdenciários
- Buscar estabilidade ou indenização
- Evitar prejuízos futuros
Buscar orientação não é conflito. É autoproteção.
Doença do trabalho: o que é, por que importa e como se proteger
A doença do trabalho não é apenas um conceito jurídico. Ela representa uma realidade vivida silenciosamente por milhares de trabalhadores que adoecem tentando manter sua fonte de renda. Entender doença do trabalho o que é significa compreender que o adoecimento ligado ao trabalho não deve ser tratado como algo normal ou inevitável.
Quando a lei reconhece a doença do trabalho, ela faz isso para equilibrar uma relação desigual, protegendo quem está mais vulnerável. O trabalhador não escolhe adoecer. Muitas vezes, ele apenas se adapta às condições impostas, até que o corpo ou a mente não suportam mais.
Ignorar esse enquadramento legal pode gerar perdas sérias: ausência de benefícios, demissão injusta, falta de tratamento adequado e até agravamento da doença. Por isso, a informação correta traz não só clareza, mas também alívio emocional.
É importante lembrar que o reconhecimento da doença do trabalho não exige perfeição de provas, mas coerência entre fatos, ambiente e consequências. A Justiça tem evoluído para enxergar o trabalhador como pessoa, e não apenas como número.
Buscar orientação jurídica especializada permite agir com segurança, respeitando prazos, reunindo provas e evitando decisões precipitadas. Muitas vezes, esse cuidado é o que separa a perda de direitos da reconstrução da estabilidade.
Ao compreender seus direitos, o trabalhador deixa de carregar sozinho um peso que não lhe pertence. Informação, nesse contexto, é proteção, dignidade e caminho para recomeçar com mais segurança.
FAQ — Perguntas frequentes sobre doença do trabalho
1. Doença do trabalho: o que é exatamente?
É a doença causada ou agravada pelas condições em que o trabalho é realizado, mesmo que não seja exclusiva da profissão.
2. Doença do trabalho o que é segundo a CLT?
É equiparada ao acidente de trabalho pela Lei 8.213/91, garantindo direitos trabalhistas e previdenciários.
3. Toda doença adquirida no emprego é doença do trabalho?
Não. É preciso existir relação entre a doença e o ambiente ou forma de trabalho.
4. Depressão pode ser considerada doença do trabalho?
Sim, quando comprovado que o trabalho contribuiu para o adoecimento.
5. Precisa de CAT para reconhecer doença do trabalho?
Não obrigatoriamente. A Justiça pode reconhecer mesmo sem CAT.
6. O trabalhador pode ser demitido após afastamento?
Se o afastamento for acidentário, há estabilidade de 12 meses.
7. Vale a pena procurar um advogado?
Sim. A orientação evita perda de direitos e traz segurança jurídica.

